Tradicionalmente associada a perdas significativas nas esferas física, metabólica e comportamental, a menopausa ainda é carregada de significados negativos.

No entanto, a visão contemporânea sustentada por uma abordagem mais ampla da saúde feminina permite enxergar esse marco como não sendo apenas um declínio.

Conceituada como a data de cessação permanente do fluxo menstrual, estabelecida após doze meses sucessivos de ausência da menstruação, costuma ocorrer em mulheres entre 45 a 55 anos.

A sequência de queixas em mulheres que vivenciam esta fase se dá pela redução da produção hormonal ovariana com ênfase ao estrogênio.

Este hormônio encontra receptores que o permitem atuar sobre o sistema nervoso central, vasos, músculos, ossos, tecido adiposo, pele, mucosas além de interferir sobre o metabolismo. A sua redução leva a alterações sobre todas essas estruturas e suas funções.

O florescer diante das evidências do envelhecer surge a partir da decisão de olhar para si, cuidar da sua autoimagem, trabalhar as suas emoções e potencializar habilidades.

Redefinir prioridades

Invista em você. Este é o momento ideal para voltar a atenção para si, para a prática do autocuidado, usando o tempo disponível para investir em mudanças no estilo de vida que proporcionem hábitos saudáveis, longevidade e vida com qualidade incluindo atividades que lhe rendam prazer.

Mexa-se

Exercitar melhora o metabolismo e reduz percentual de gordura, libera hormônios relacionados à sensação de bem estar, previne doenças como cânceres, depressão, diabetes, hipertensão, melhora o sono, a cognição, a mobilidade, a memória e a sociabilização.

Comer saudável

Dieta rica em alimentos que gastem mais energia para digestão, proteínas. Evitar açúcar refinado, gorduras saturadas, frituras, carnes processadas, cafeína e álcool em excesso, reduzir o consumo de sal e comidas picantes, alimentos enlatados e refrigerantes.

Limitações menstruais

O encerramento dos ciclos menstruais mostra-se como alívio para quem conviveu por décadas com fluxos intensos, dor pélvica, enxaquecas catameniais e limitações ligadas a sintomas do período menstrual.

Viver a sexualidade

Com o fim da fertilidade a mulher experimenta maior liberdade sexual e menor ansiedade relacionada à contracepção.

Embora a queda estrogênica possa gerar queixas genitourinárias, a ampla gama de opções terapêuticas disponíveis, hormônios, laser, radiofrequência e ácido hialurônico, permitem manter uma vida sexual ativa e satisfatória.

Orientação médica

Buscar informação e cuidados com um profissional médico é fundamental para decisões mais conscientes sobre terapias hormonais personalizadas, terapias alternativas diante da contraindicação ao uso de hormônios, estilo de vida e prevenção de morbidades que costumam surgir como consequências do hipoestrogenismo característico da fase.

Brindar a menopausa não significa ignorar seus desafios, mas reconhecer que esse período pode representar renovação, autonomia e saúde.

O papel da ginecologia moderna é justamente transformar essa fase inevitável em uma experiência positiva, rica em novas informações e aprendizados, trazendo uma versão nova da mulher em pós menopausa, diferente da vivenciada nas décadas passadas.