Líquen escleroso: doença inflamatória crônica, com aparecimento podendo ocorrer na puberdade (5-15%) mas principalmente na mulher em pós menopausa (50-60%).

A queixa mais comum inclui uma irresistível coceira vulvar que se acentua durante a noite, podendo fracionar o sono e despertar para coçar. Uma sensação de queimação vulvar, dor nas relações sexuais e ao urinar também são relatadas. Apenas 1% das pacientes nada sentem.

Alterações da pele e da anatomia

A aparência genital exibe inicialmente alterações na pele que torna-se brancacenta/hipopigmentada, fina, inelástica e frágil, facilmente apresentando erosões e fissuras consequentes ao próprio ato de coçar.

Com o retardar do diagnóstico, a evolução cursa com modificações anatômicas como: apagamento do clitóris e pequenos lábios, sinéquias e redução do introito vestibular causando progressiva disfunção sexual.

A atenção devida ao líquen escleroso vulvar está no seu potencial de transformação maligna quanto maior a demora no diagnóstico ou a inadequação do tratamento estabelecido.

Repercussões que vão além da pele

Estas repercussões não se limitam a esfera física, mudanças anatômicas e epiteliais do genital feminino, mas atingem a esfera sexual, transtornos dolorosos que findam fragilizando relacionamentos e a esfera emocional: insatisfação com a autoimagem, vergonha de expor seu genital, redução da autoestima.

Diagnóstico e acompanhamento

O diagnóstico é clínico, raras vezes necessitando de biópsia. Importa não abrir mão de uma avaliação ginecológica por profissional especializado.

A precocidade do diagnóstico reduz sequelas anatômicas e o seguimento periódico da mulher é imperativo para monitorar as complicações e prevenir a malignização.

Informar-se sobre o líquen é o primeiro passo para reduzir seus impactos. Dar atenção aos sinais persistentes do próprio corpo é um cuidado que precisa ser cultivado. O tratamento bem conduzido permite que a mulher retome o seu bem estar e a sua qualidade de vida.